sim, é preciso dançar; tu me lembras com teu agudo rodopio
tornando vento o ar sem peso e calmo de tardes amenas
sim, é preciso voar; assim como tuas asas agitadas acordando
anjos de ouro tecidos, intimidados com tuas transparências
sim, é preciso o amor; aquele que distribuis ao teu irmão
ao teu amigo e teu amante; sem nódoas e limpo e sem esperas
como poeta, meu verso culmina em apascentar estrelas
nos campos laranja e tornar jardim os lamaçais e pântanos
e simulacro tudo que envide a velha infância e cegueira
como poeta meu verso termina quando inicias a manhã
e meu silêncio ameniza as limitações semânticas
quando estais do outro lado da tarde e não te alcança
senão a lembrança da memória viva que tenho
rios cubram várzeas, evolem águas
deuses possuam virgens e feneçam
mundos expludam e renasçam olvidados
e cresça o amor e morra o poeta que nada sabe
do que alardeia, se ele uiva à noite sem musa
acompanhado de vinho e absinto: e viva
o que seja sem nódoas, limpo e sem esperas
sexta-feira, 19 de março de 2010
ALEATÓRIO - rogério generoso
roçando a cabeça no céu
vagabundos apodrecem suas entranhas
nas calçadas mijadas e criancinhas dançando
passam ao lado ainda de tubinho e sapatilhas
alheias como ilhas da terra firme
o lago do grande mar ou
o que há dentro do que há fora
(...)
à noite destinadamente só
e as paredes do quarto cinza esperando azuis
ouço me chamar uma voz triste de poema desamparado
e eu preciso os indícios do outono
em mil páginas vencer
!seria belo não fosse inútil como a dúvida do céu
ou o sorriso de Monalisa
vagabundos apodrecem suas entranhas
nas calçadas mijadas e criancinhas dançando
passam ao lado ainda de tubinho e sapatilhas
alheias como ilhas da terra firme
o lago do grande mar ou
o que há dentro do que há fora
(...)
à noite destinadamente só
e as paredes do quarto cinza esperando azuis
ouço me chamar uma voz triste de poema desamparado
e eu preciso os indícios do outono
em mil páginas vencer
!seria belo não fosse inútil como a dúvida do céu
ou o sorriso de Monalisa
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Barbárie - rogério generoso
barbárie: homicidas, infanticidas, genocidas e correlatos
pedófilos, homofóbicos, sóciopatas e aloprados
misantropos, necrófilos, suicidas e andrajos
aleijados, aidéticos, siflíticos e diabéticos
cardíacos, raquíticos e a metástase social;
os sem-teto, os sem-terra, os sem mais nada
os donos da pátria, os donos da rua
os senhores das armas, os agentes da morte
os automóveis mais que o vietnã
os estupradores mais que hiroshima
a fome mais que o holocausto
o bandido excelentíssimo, meretíssimo, digníssimo...
eu não vou falar mais nada
eu não vou falar mais
eu não vou falar
eu vou esperar Alarico e o cutelo
eu vou ansear o Cristo e o eterno
pedófilos, homofóbicos, sóciopatas e aloprados
misantropos, necrófilos, suicidas e andrajos
aleijados, aidéticos, siflíticos e diabéticos
cardíacos, raquíticos e a metástase social;
os sem-teto, os sem-terra, os sem mais nada
os donos da pátria, os donos da rua
os senhores das armas, os agentes da morte
os automóveis mais que o vietnã
os estupradores mais que hiroshima
a fome mais que o holocausto
o bandido excelentíssimo, meretíssimo, digníssimo...
eu não vou falar mais nada
eu não vou falar mais
eu não vou falar
eu vou esperar Alarico e o cutelo
eu vou ansear o Cristo e o eterno
A PEDRA ACORDA - rogério generoso
O sono da pedra acorda
quando lhe torna imagem o escultor;
faltando-lhe ainda, a humana memória
para a glória de ser criatura, e não
do engenhoso artífice, labor.
quando lhe torna imagem o escultor;
faltando-lhe ainda, a humana memória
para a glória de ser criatura, e não
do engenhoso artífice, labor.
sábado, 16 de maio de 2009
Calíope
às vezes, incessante sopra
no ouvido hipnotizado
um coro surdo e frio de bronze
como badaladas embaixo do céu
aos domingos, à espera da noiva
harmoniosa; Enquanto em mim
silenciados, os sinos no templo
ruindo, quando muito esperam
os pesares inúteis de todo o céu
aonde a música da deusa alcance
às vezes, incessante sopra
no ouvido hipnotizado
um coro surdo e frio de bronze
como badaladas embaixo do céu
aos domingos, à espera da noiva
harmoniosa; Enquanto em mim
silenciados, os sinos no templo
ruindo, quando muito esperam
os pesares inúteis de todo o céu
aonde a música da deusa alcance
terça-feira, 12 de maio de 2009
Amago
Inverto a fechadura da porta
para que demorem a entrar
na casa de minha solidão
e saibam, a multidão de tumultos
e a desolação de vultos, reunidos
em torno do abismo que sou
para que demorem a entrar
na casa de minha solidão
e saibam, a multidão de tumultos
e a desolação de vultos, reunidos
em torno do abismo que sou
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Poema sobre mote de Fátima Almeida
Ó musa de solitários homens
adormecida, em mar deitada
flutuando densa, no assoalho
quase tocando que cada um
dentro tem inacessível.
Ó musa dos deuses, bacante
ópio de verdes moços em transe
lingua sobre todas as terrenas
avara luz para poucos mortais
voz natural de água fogo e ar.
Ai de mim (musa) triste sozinho
humano e perdido entre torvelinhos
se não houvesse por graça
tua força de onde tudo se gera
em minha mão que se esmera.
Te chamo por refrigério, poesia.
"Estamos juntos;
As palavras fizeram nosso encontro."
rogério Generoso
adormecida, em mar deitada
flutuando densa, no assoalho
quase tocando que cada um
dentro tem inacessível.
Ó musa dos deuses, bacante
ópio de verdes moços em transe
lingua sobre todas as terrenas
avara luz para poucos mortais
voz natural de água fogo e ar.
Ai de mim (musa) triste sozinho
humano e perdido entre torvelinhos
se não houvesse por graça
tua força de onde tudo se gera
em minha mão que se esmera.
Te chamo por refrigério, poesia.
"Estamos juntos;
As palavras fizeram nosso encontro."
rogério Generoso
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